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Tema: Palestras

150 milhões de fotos: quando a evidência visual vira dado

19 de setembro de 2026 4 min de leitura
Daniel Maul Lins falando no Comex Tech Forum AI 2026

Toda foto de canhoto, BL ou packing list já carrega um número de contêiner, um lacre, um PO, um peso. A pergunta que levei ao Comex Tech Forum AI 2026: por que essa informação ainda é digitada à mão? IA em logística com um objetivo só.

Uma foto de canhoto já contém dado: número do contêiner, lacre, PO, peso bruto. O desperdício está em continuar digitando isso à mão. Esse foi o fechamento da minha participação no Comex Tech Forum AI 2026, para mais de 4 mil pessoas, e é a forma mais honesta que eu conheço de falar de IA em logística.

IA, em uma frase

IA está em toda keynote, todo painel e todo pitch de fornecedor este ano. Por isso vale dizer exatamente o que ela significa para quem opera: usar IA com um objetivo, e só um, tornar a cadeia de suprimentos mais justa, enxuta e resiliente. Nada mais místico do que isso.

A pergunta que todo mundo já fez

Não começamos pela tecnologia. Começamos por uma pergunta que qualquer pessoa de comex já viveu:

Quantas vezes você tirou foto de um canhoto, de um Bill of Lading, de uma packing list (qualquer coisa com carimbo ou assinatura) e pensou: "queria que isso já fosse dado; queria não ter que digitar isso de novo"?

A escala do problema

Todo dia, milhares de dispositivos sobem fotos para a plataforma da Cargosnap, empresa da qual sou cofundador: contêineres, pallets, packing lists, etiquetas, canhotos, relatórios de avaria. Isso soma. Hoje são mais de 150 milhões de ativos visuais.

Olhando para esse número, a pergunta é inevitável: o que as operações poderiam fazer se isso fossem 150 milhões de registros de dados, e não uma pilha de fotos e vídeos? Que perguntas ficam sem resposta hoje, ou nem chegam a ser feitas, só porque o trabalho manual de digitação não permite?

A foto não deveria ser o destino final

Alguém já teve o trabalho de apontar a câmera para a informação. Ela não precisa continuar presa em pixels. Pode ser lida e guardada como dado, dentro do arquivo digital do embarque:

  • Canhoto: número do contêiner, lacre, data, assinatura.
  • Bill of Lading: partes, portos, descrição da carga, pesos.
  • Packing list: volumes, quantidades, PO.
  • Etiqueta e relatório de avaria: SKU, lote, tipo de dano, localização.

Isso muda três coisas na prática: menos redigitação (e menos erro de digitação), conferência automática entre o que o documento diz e o que o sistema espera, e histórico pesquisável para sinistros, auditorias e análise de causa raiz.

O cuidado que eu sempre repito

IA não conserta processo quebrado, ela acelera o que já existe (escrevi sobre isso no caso da IA que não sabia contar leite). Extrair dado de foto só vale se a foto for tirada no momento certo, vinculada ao embarque certo, dentro de um processo que alguém padronizou. É por isso que o primeiro passo é o registro estruturado de ocorrências e evidências, tema da primeira parte da palestra. A IA vem depois, sobre um dado em que a operação confia.

Para quem está avaliando IA na operação

Três perguntas antes de comprar qualquer solução:

  1. Que decisão esse dado vai mudar? Se ninguém sabe responder, é enfeite.
  2. A evidência nasce no ponto de captura ou é reconstruída depois? IA sobre dado reconstruído só automatiza o palpite.
  3. Como você vai medir se funcionou? Tempo de digitação, erros de conferência, prazo de dossiê de sinistro. Escolha antes de começar.

Se você quer levar esse tema para a sua empresa ou evento, ou avaliar onde a sua operação ainda perde dado em fotos e documentos, fale comigo.